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O ministro da Ciência considerou hoje preocupante a Europa ter poucas mulheres na ciência, quer pelos níveis de competitividade quer pela conciliação das vidas familiar e profissional, mas salientou que a situação de Portugal é das melhores.
O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, falava durante a abertura do I International Congress "Women in Science", promovido pela Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas (AMONET), na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, para discutir a qualidade das mulheres cientistas, as suas condições de trabalho e o valor que lhes é dado nos círculos mundiais.
Mariano Gago manifestou-se preocupado com o baixo número de mulheres a desenvolver investigação científica na Europa, considerando que se esta questão "não se resolver, não se pode esperar um aumento significativo na Europa".
A título de exemplo, e citando dados de estudos recentes, o ministro referiu países como a Alemanha, desenvolvidos e muito populosos, em que a percentagem de mulheres cientistas não ultrapassa os 17 por cento.
Contudo, salientou que "a situação em Portugal é das melhores da Europa", aproximando-se nesta matéria apenas dos países nórdicos e bálticos, também com elevado número de mulheres na Ciência.
De acordo com Mariano Gago, Portugal conta com 43 por cento de mulheres cientistas, um número bastante acima do encontrado na generalidade dos países da União Europeia.
"Se pensarmos abaixo dos 40 anos, nesse caso então verificamos que em Portugal o número de homens e mulheres a fazer investigação científica é praticamente igual", sublinhou o ministro.
Para Mariano Gago, o problema da falta de cientistas na Europa prende-se com a "necessidade manter os níveis de competitividade e de emprego qualificado", em particular "aumentando o número de mulheres".
Por outro lado, considerou que estes dados revelam que as mulheres são excluídas por dificuldade de conciliar as exigências de uma carreira de investigação científica com o papel de mãe.
Por isso mesmo, o ministro defendeu a necessidade de resolver determinadas questões sociais, como a criação de creches e escolas que estejam abertas até tarde.
Mariano Gago disse ainda que a Europa precisa de "mais meio milhão de cientistas" do que os que tem actualmente, e acrescentou que se a percentagem de mulheres na ciência aumentasse dez por cento na generalidade dos países europeus, grande parte do problema estaria resolvido.
De acordo com um relatório do Eurostat disponibilizado na Internet a 08 de Março, a propósito do Dia da Mulher, Portugal é quarto país da União Europeia que emprega maior percentagem de mulheres cientistas no ramo da investigação.
Este relatório sobre Ciência e Tecnologia apresenta dados estatísticos, relativos a 2003, sobre a percentagem de investigadores a trabalhar na área de I&D (Investigação e Desenvolvimento) na União Europeia entre o total de empregados desses países.
O documento destaca que entre os países da Europa dos 25, Portugal ocupa o quarto lugar no que respeita à percentagem de mulheres empregadas a desenvolver investigação científica.
O estudo em causa "revela uma percentagem particularmente elevada de mulheres investigadoras nos países Bálticos - 53 por cento na Letónia e 48 por cento na Lituânia" - comparativamente aos homens.
No topo do ranking seguem-se a Bulgária, com 47 por cento, Portugal, com 44 por cento, e a Eslováquia, com 41 por cento.
Luxemburgo, Alemanha e França ocupam os últimos lugares com uma baixa representação de mulheres investigadoras: 17 por cento, 19,2 por cento e 27,8 por cento, respectivamente.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7826030) |