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Mulheres: Associação de Cientistas em busca das carreiras perdidas versão para impressão enviar por e-mail
17-Mai-2005
As mulheres estão em maioria nos cursos superiores de ciências, mas após a licenciatura "desaparecem" em termos de carreira, um problema que a Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas, a apresentar quinta-feira em Lisboa, quer combater. A AMONET - Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas é uma organização de âmbito nacional criada com o objectivo de promover e apoiar a participação de mulheres na ciência, explicou à Agência Lusa um dos membros, a psicóloga social e investigadora Lígia Amâncio.

De acordo com a investigadora, importa não só incentivar as mulheres cientistas que já existem, mas também as que seria desejável que optassem por esta carreira, pois há muitas que se diplomam em áreas científicas e que depois não continuam. "Há um problema de não correspondência das raparigas no ensino superior e entrada na carreira. A perda de efectivos femininos é enorme", afirmou, acrescentando que "as mulheres são maioritárias ao nível da licenciatura e apenas um terço nos doutoramentos".

A razão por que isto acontece é a "grande dúvida", segundo Lígia Amâncio, para quem "há que perceber o que faz com que as raparigas não prossigam a carreira científica". Por outro lado, põe-se a questão da invisibilidade das cientistas que existem, que trabalham e fazem investigação no país. Há uma "participação global elevada das mulheres, a rondar os 40 por cento em todas as instituições, categorias e disciplinas, mas têm uma progressão na carreira demorada, não atingem o topo e não têm visibilidade ao nível da gestão de órgãos".

"Mesmo em áreas em que as mulheres são fortes, as comissões de avaliação só têm homens", sublinhou, questionando: "porque é que as mulheres são tão presentes em termos numéricos e ao mesmo tempo tão invisíveis?". Este é um problema em relação ao qual não há investigação e conhecimento fundamentado, afirmou Lígia Amâncio que não entende "como é que esta não é uma questão importante" e "como é que se pode prescindir do contributo da mulher". Comentando a diferença salarial entre homens e mulheres, a psicóloga defende que só existe porque mesmo "com qualificações iguais, as mulheres ficam para trás". "Globalmente ocupam categorias de carreira abaixo das deles - as mulheres são minoritárias, por exemplo, entre os professores catedráticos - e a diferença salarial resulta disso", considerou.

A investigadora sublinhou que para contrariar esta tendência é "fundamental promover a difusão do conhecimento da situação das mulheres na ciência de modo a incrementar esta profissão e a progressão no seio desta carreira". Para tal, a AMONET procurará sensibilizar os decisores políticos, a opinião pública e a própria comunidade científica. Da associação fazem parte mulheres de todas as universidades do país e de todas as disciplinas. Do núcleo de gestão, por exemplo, fazem parte cientistas de áreas tão diversas como química, física, psicologia, matemática ou educação.

Segundo Lígia Amâncio, existem em quase todos os países europeus associações de mulheres cientistas, que funcionam como interlocutoras da política científica da União Europeia (UE). "A própria política europeia promove a urgência deste tipo de organizações, que já existem até mesmo nos países recentemente membros da UE", acrescentou.

FONTE: Agência Lusa

 
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