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Ecologia:Eucaliptais afectam equilíbrio ambiental junto aos rios versão para impressão enviar por e-mail
14-Out-2004
Um investigador da Universidade de Coimbra (UC) alertou hoje que a monocultura de eucaliptos é negativa para a densidade e diversidade de pequenos seres vivos nos cursos de água, reduzindo a capacidade de decomposição da matéria orgânica vegetal.

Segundo Manuel Augusto Graça, alguns parâmetros relacionados com a decomposição de detritos vegetais, principalmente folhas de árvores, "são afectados por perturbações" como as plantações de eucaliptos e a poluição orgânica dos rios e ribeiros.

O especialista salientou que as taxas de decomposição "podem ser um indicador funcional de alterações de qualidade do ambiente". "Os nutrientes contidos nas folhas e outros detritos vegetais são reciclados pela acção conjunta de microorganismos, principalmente hifomicetes aquáticos e invertebrados", disse.

Manuel Graça intervinha no primeiro dia do IX Encontro Nacional de Ecologia, que decorre no auditório da reitoria da UC, até sábado. "As zonas dos rios onde este material orgânico se acumula têm uma maior densidade e diversidade de invertebrados aquáticos", cuja actividade contribui para a sua decomposição. No entanto, como salientou o especialista, as taxas de decomposição, que resultam da acção conjunta de fungos e invertebrados e "são sensíveis à diversidade das comunidades", poderão ser prejudicadas pela existência nas margens de monoculturas de eucaliptos e pela poluição orgânica.

Helena de Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa de Ecologia (SPECO), corroborando o teor daquela intervenção, disse à Agência Lusa que a plantação intercalada de carvalhos e outras folhosas seria uma forma de reduzir o impacto negativo dos eucaliptais no equilíbrio ambiental nas zonas ripícolas (junto a rios e ribeiros). A professora universitária, provedora do Ambiente do município de Coimbra, defendeu que essa orientação "deveria ser seguida na reflorestação" de áreas destruídas pelos incêndios e na "recuperação de alguns sistemas ribeirinhos". Helena Freitas vai preconizar essa solução na Comissão Nacional de Reflorestação, criada recentemente, a qual integra como botânica e ambientalista.

O Encontro Nacional de Ecologia é organizado pela SPECO e congrega dezenas de participantes de todo o país, designadamente professores, investigadores e estudantes.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6431717)

 
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