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Arqueólogos tentam descobrir vila romana enterrada em Porto Salvo versão para impressão enviar por e-mail
11-Ago-2008
Uma «grande dose de certeza» sobre a possibilidade de descobrir o complexo urbano de uma vila romana é o ponto de partida dos arqueólogos que vão escavar, em Setembro, um terreno agrícola de Porto Salvo, em Oeiras. Financiado pela Câmara com 10 mil euros, o trabalho permitirá concluir uma recolha de material na superfície desenvolvida em Julho pelo Centro de Estudos Arqueológicos do concelho, pelo GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, por professores e estudantes universitários e por uma empresa alemã que localizou, através de um georadar, o que parece ser um edifício de planta rectangular com paredes entre 0,5 e 1,5 metros de altura.

A suspeita de que a área terá sido ocupada pela povoação romana de Leião não é, no entanto, recente - segundo João Luís Cardoso, dirigente do Centro e responsável pela investigação, o local está registado há mais de duas décadas na Carta Arqueológica municipal e tem sido alvo de várias prospecções ao longo desse período.

«Não se pode escavar todos os possíveis locais de interesse arqueológico, mas neste momento achou-se prioritário fazer esta intervenção, devido à grande aptência urbanística do local, e a primeira etapa foi concluída com êxito», disse à Lusa.

«Para ser uma vila, é preciso confirmar se se trata de uma casa senhorial, que era a parte urbana, a que se juntava uma rústica. É uma possibilidade sobre a qual já temos, através dos elementos recolhidos, uma grande dose de certeza», explicou, referindo-se a mosaicos, requintados fragmentos de estuques pintados e placas de mármore revestidas que a equipa encontrou.

Após a elaboração do relatório final dos trabalhos, prevista para 2009, caberá ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) avaliar se as ruínas devem ser apenas preservadas por registo documental (com fotografias e peças catalogadas) ou se a sua importância patrimonial e científica justifica a delimitação de uma área de interesse arqueológico.

Nesse caso, qualquer construção teria de respeitar o traçado da vila romana, que poderia ser integrada no circuito turístico-cultural do concelho e do país. Segundo José Luís Cardoso, toda a Área Metropolitana de lisboa está repleta de vestígios romanos em número «muito considerável», apesar da destruição causada pela ocupação humana.

O responsável defende, por isso, que cabe às autarquias «seguir o exemplo» de Oeiras e valorizar a vida dos seus municípios com uma visão actual da defesa do património histórico, entendendo-o como um apoio - e não um entrave - à promoção dos interesses imobiliários.

Lusa/SOL
 
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