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Alterações climáticas estão a acabar com a solha e a faneca do Tejo versão para impressão enviar por e-mail
07-Mai-2008
A solha e a faneca estão a desaparecer do rio Tejo, em busca de águas menos aquecidas pelas alterações climáticas, enquanto espécies até agora quase inexistentes, como o sargo do Senegal, chegam cada vez em maior abundância.

O aumento da temperatura da água, de quase dois graus em menos de trinta anos, é a razão desta movimentação de espécies piscícolas no estuário do Tejo, segundo explicou a bióloga Maria José Costa.

Mas se umas espécies abandonam o Tejo, à procura de águas mais frias, outras vêm de longe para ocupar o lugar das que partiram. "É o caso do charroco [um peixe muito usado em caldeirada]. Quase não existia e hoje pesca-se com a maior facilidade. Outra espécie que também não havia e agora é a mais abundante do Tejo é o sargo do Senegal, que existia apenas na costa africana", conta a investigadora, que dirige o Instituto Oceanográfico da Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa.

Outro exemplo é a corvina, um peixe muito apreciado pelos portugueses: "Antes a corvina aparecia esporadicamente. Agora faz a sua reprodução no estuário do Tejo e encontra-se muita", adiantou. Os primeiros estudos da investigadora no Tejo foram feitos em finais da década de 70. Comparando esses dados com os actuais, a investigadora concluiu que as espécies habitualmente do sul aumentaram devido às alterações climáticas e, em especial, ao aumento da temperatura das águas.

O estuário do Tejo é o maior de toda a Europa Ocidental, com uma área de 320 quilómetros quadrados, e sofre outras ameaças, além das climáticas, como o aumento da população, a poluição, a introdução de espécies exóticas, a destruição de habitats naturais ou até a sobreexploração dos recursos. Mas as alterações climáticas são das que mais preocupam os especialistas: "Os cenários são catastróficos, não podemos continuar assim", defendeu Maria José Costa.

Fonte / Escrito por: Público / Lusa 

 
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