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Emprego científico rema contra a maré… |
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03-Nov-2006 |
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Ao que parece esta segunda-feira, dia 30 de Outubro de 2006, houve uma manifestação de bolseiros intitulada “cientistas nas lonas” e para Novembro está a ser organizada uma feira de emprego científico. Reparem, eu repito: “Emprego Cientifico”! Quando ninguém sabe o que fazer com um doutorado/mestrado numa empresa, torna-se ainda mais complicada a tarefa de fazer entender o porquê de pagar mais a uma pessoa com mais habilitações, num panorama em que se oferece cada vez menos condições/regalias aos contratados. |
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Mais de um mês depois…. |
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10-Out-2006 |
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Existem provavelmente inúmeras Vanessa Sequeira espalhadas por esse Portugal fora, até mesmo pelo mundo, mas são necessárias 9 páginas no pesquisador Google para se encontrar uma Vanessa Sequeira que não tenha sido assassinada na Amazónia (área rural de Sena Madureira, Acre) a 3 de Setembro de 2006. Esse mundo inesgotável que é a Internet está repleto de notícias sobre a morte violenta da investigadora portuguesa, algumas bastante pormenorizadas e sensacionalistas. Já para não falar na Blogosfera, entupida de “posts” pessoais e comentários de amigos, conhecidos ou mesmo estranhos que lamentam a sua morte. |
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Em Busca de “Uma verdade inconveniente” |
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26-Set-2006 |
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O filme que tem como principal e único protagonista o ex-futuro presidente da América, Al Gore, estreou em Portugal no dia 14 de Setembro, mas provavelmente poucos foram os que deram pela sua chegada. Não houve um anúncio na televisão, nem um cartaz nas paragens de autocarros, e o número de salas que abrigou esta estreia dá (efectivamente) para contar pelos dedos de uma mão: três salas em Lisboa (Amoreiras, UCI Cinemas, Nimas), uma sala no Porto e uma em Coimbra. Uma Verdade Inconveniente pertence já à categoria de documentário bem sucedido (vendidos), estando actualmente no terceiro lugar depois de Fahrenheit 9/11 e A marcha dos Pinguins. Portanto, a não perder!!! O argumento principal é composto por uma autêntica palestra subordinada ao tema aquecimento global, pontuada com pequenas sequências de carácter pessoal, quer do seu trabalho político, quer da vida privada e familiar. Há quem lhe chame uma performance eminentemente teatral que utiliza uma lógica “ilustrativa” de telejornal, para fazer, simplesmente, politica. Mas quem de nós não ensaia vezes sem conta o discurso de uma apresentação? E principalmente, quem é que não treina as piadas que podem fazer toda a diferença? A palestra resume uma quantidade astronómica de dados, alguns privilegiados, resumidos nuns claros e apelativos gráficos, ilustrações ou mesmo vídeos. É de fazer inveja a muito investigador! Para os que ainda tem dúvidas sobre o tema não há que enganar; é ir ver o filme ou comprar o livro que também o há! Para quem não tem dúvidas; é ir ver o filme! Uma das matérias mais importantes (no meu entender) é a desmistificação de que o ecológico sai necessariamente mais caro e não é competitivo a níveis empresariais. Uma enorme mensagem para a economia que só cresce na base da confiança (como dizem os entendidos na televisão!) e que se recusa a arriscar no desconhecido de algumas novas tecnologias. A segunda grande mensagem é que 6 biliões de pessoas são efectivamente uma força da natureza. Já não são só os tsunamis, os furacões ou os tremores de terra que conseguem alterar algumas coisas no planeta! O Homem é hoje também responsável pelas mudanças no planeta “azulzinho”, as más e as boas! Assim, comprova a notícia da regressão do buraco na camada do ozono, graças ás políticas de eliminação de CFC’s! Para finalizar, o que eu chamaria a suprema verdade inconveniente e que resume muito bem a importância de todas as causas ambientais: um slide ilustra uma balança com barras de ouro num prato (sinónimo de lucros) e no outro, o planeta Terra (políticas ambientais). Al Gore comenta: “de um lado temos as barras de ouro… hummm, como eu gostava de ter uma… hummm… mas não tenho! E do outro lado, ah… a Terra. Mas se eu não tiver a Terra?...” Uma Verdade Inconveniente, procure num cinema… nem sempre perto de si! Lusomundo Dolce Vita Coimbra - 13h25, 15h40, 18h, 21h40, 23h55 Lusomundo Amoreiras - 13h15, 15h30, 17h45, 20h, 22h10, 00h30 Nimas - Sala 1 - 14h30, 17h, 19h30, 22h UCI Cinemas - Sala 12 - 14h20, 16h50, 19h, 21h40, 24h
Lusomundo NorteShopping - 13h40, 16h10, 18h40, 21h30, 24h |
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Bioteca: O Primeiro Laboratório de Criopreservação de Células Estaminais Em Portugal |
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29-Set-2005 |
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Todos os anos surgem novas situações de crianças que desenvolvem várias doenças para as quais o transplante de células estaminais é o tratamento com maiores probabilidades de êxito. Isto deve-se à grande capacidade que este tipo de células possui para reconstruir tecidos danificados ou destruídos. Entre as doenças referidas, encontram-se vários tipos de cancro, problemas com a medula óssea, disfunções hematológicas e diversos tipos de imunodeficiências.
Até há bem pouco tempo, a única via para solucionar estes problemas consistia em procurar um dador que fosse o mais compatível possível, de modo a minorar a possibilidade de rejeição do transplante. A maior dificuldade desta opção prende-se com a reduzida probabilidade de encontrar um dador compatível no total da população, que se estima ser inferior a 0,01%. A solução para estes problemas tem vindo a ser desenvolvida já há cerca de duas décadas e passa por utilizar as células estaminais contidas no cordão umbilical de um recém-nascido e conservá-las antes que possam vir a ser necessárias. A recolha na altura do parto é uma oportunidade única na vida de um indivíduo e a criopreservação das células estaminais contidas no cordão umbilical poderá ter um valor inestimável na eventualidade da necessidade futura de utilização deste material biológico como terapia para o próprio indivíduo, ou familiares. Esta solução tem também a grande vantagem de eliminar por completo a possibilidade de rejeição (quando utilizado no próprio indivíduo), permitindo uma resposta imediata e eficiente.
A Bioteca é o Primeiro Laboratório em Portugal a assegurar a Criopreservação de células estaminais provenientes do cordão umbilical de recém-nascidos. Para aceder aos serviços da Bioteca, basta aos futuros pais um simples contacto para efectuar o pedido do kit de recolha, o qual deverão levar para a maternidade na altura do parto e entregá-lo à equipa médica que assistirá ao parto. No interior do kit encontram-se as instruções para os pais e para a equipa médica. Após a recolha, o sangue do cordão umbilical é acondicionado numa embalagem especialmente desenvolvida para manter as características da amostra durante o transporte para os laboratórios da Bioteca. Em apenas algumas horas o sangue é recepcionado no laboratório onde é processada e criopreservada a amostra. Os pais recebem algum tempo depois um certificado de criopreservação emitido pela Bioteca. A criopreservação permite a preservação destas células por um período alargado, até que venha a ser necessária a sua recuperação e utilização, segundo um processo rápido e eficiente.
A Bioteca assegura e garante a preservação de cada uma das amostras criopreservadas durante o período contratado. Para tal dispõe de um fundo financeiro especialmente criado para o efeito. A participação no capital da Bioteca por parte do Grupo Lena e da PME Capital SCR, conferem a inevitável garantia de solidez financeira que um projecto deste tipo exige.
Investigação e Desenvolvimento
Esta é uma área de investigação em franco desenvolvimento, prevendo-se que num futuro próximo se concebam ainda mais utilizações terapêuticas para as quais estas células constituam um recurso inestimável.
A Bioteca, através do seu Departamento de Investigação e Desenvolvimento aposta também de uma forma bastante determinada na investigação na área das células estaminais, em parceria com o Instituto Superior Técnico (IST), no sentido de encontrar novas aplicações terapêuticas, para além de outras linhas de investigação neste domínio. É também importante salientar que o IST acolhe o único grupo científico português de investigação na área das células estaminais do cordão umbilical.
Contactos da Bioteca:
Telefone: 210 970 681
www.bioteca.pt |
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Uma experiência pessoal numa ONG estrangeira |
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21-Jan-2005 |
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Hoje em dia é quase impossível um estudante universitário acabar o seu percurso académico, sem que uma parte deste seja passada no estrangeiro. E eu não fui excepção. O último ano, na maioria dos cursos de ciências que ainda se dá ao luxo de providenciar estágios para os seus cursandos, é um ano especial, onde cada um tenta focar a sua aprendizagem sobre aquilo que mais lhe agrada. E não foi diferente comigo! Obviamente, e porque a ciência é um imenso mundo onde não existem fronteiras, torna-se especialmente apelativo fazer o estágio num outro país, onde a maneira de aplicar e de ver a ciência será certamente diferente.
Eu escolhi Inglaterra por ser, por excelência, um país de observadores de aves. A associação inglesa de nome The Wildfowl & Wetland Trust (WWT), aceitou acolher-me ao abrigo do programa Leonardo Da Vinci, durante 6 meses, para fazer um trabalho sobre Gansos.
Neste momento, estou a trabalhar no centro principal da WWT, que está sedeado em Slimbridge, uma pequena aldeia que pouco mais tem para oferecer àqueles que a visitam, que aves. O centro da WWT é constituído por uma série de pequenos lagos, rodeados de áreas verdejantes, um edifício principal, desenhado e concebido para acolher os visitantes, 3 casas familiares, um edifício que alberga o departamento de investigação e a residência para os voluntários. Tanto o departamento de investigação, como a residência, são literalmente sustentados com as ”sobras” do edifício central. A residência nem sequer tem direito a possuir financiamento e o departamento de investigação tem de ser auto-sustentável. O ambiente de trabalho é bastante semelhante ao existente nas universidades ou instituições portuguesas: muito amigável e descontraído, onde toda a gente sabe a vida de toda a gente, em que o circulo de amizades ultrapassa pouco os horizontes da associação, com lugar para intrigas, mal-dizer e desavenças. Mas qualquer semelhança com a realidade lusa acaba aqui. Fui recebida com tal profissionalismo que, por momentos, esqueci-me que era uma simples aluna à procura de ganhar experiência, e não uma bióloga na plenitude das suas capacidade e sabedoria. A Biblioteca desta associação, a nível de publicações periódicas na área de ornitologia, coloca a um canto as bibliotecas da maioria das universidades de Portugal, e está a anos-luz das bibliotecas das organizações não governamentais (ONG) portuguesas. O nível de investigação científica praticado aqui, será qualquer coisa parecida com um ambiente universitário amador, onde a grande preocupação não é trazer algo de extraordinariamente inovador para a ciência, mas sim, produzir conhecimento ou actualizar o que já se soube, com fins muito práticos.
Um exemplo elucidativo deste espírito é o trabalho que estou a fazer. As zonas de protecção especial (ZPE) para aves são áreas com um estatuto europeu de protecção designadas por uma razão específica. A grande maioria das ZPE no Reino Unido, delimitadas para proteger gansos e cisnes, são zonas utilizadas por estas espécies, para pernoitar. E porque é que só estes espaços são protegidos? Porque são os únicos que, oficialmente, se sabe que são utilizados por estas aves. É, portanto, importante determinar, oficialmente, que outros locais são frequentados pelos Gansos e Cisnes, a fim de os proteger. Nomeadamente, áreas de alimentação, já que a maioria destas espécies são invernantes no Reino Unido e vêem para aqui, só para se alimentarem, durante o Inverno. Como os ingleses observam as suas aves há bastantes anos, a questão não é tanto não saber onde os gansos e os cisnes se alimentam, mas sim, reunir a informação proveniente de cada parte do país ou ZPE, e compilar e elaborar um relatório que discuta quais os locais prioritários que necessitam de ser protegidos.
Em Inglaterra existem 3 grandes ONG’s de ornitologia (British Trust for Ornithology, WWT e Royal Society for Protection birds) e nenhuma delas pode ser comparada com a nossa estimada SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves). Em qualquer uma delas o número de funcionários e a quantidade de trabalho produzido são incrivelmente superiores. Assim como o tipo de aproximação que existe para com o público e para com a conservação. Estas associações possuem terras, onde constroem as suas sedes e edifícios de acolhimento ao público, onde criam lagos para atrair as aves, protegendo-as dos seus predadores com vedações eléctricas e alimentando-as. Mas o mais importante é poder mostrar a diversidade de espécies que aparecem nestes lagos, ao público em geral, e para isso são construídos enormes observatórios, junto dos lagos, proporcionando às pessoas uma agradável visão, sem perturbar as aves, e ao mesmo tempo protegendo-as, já que impossibilita o acesso ao lago. E assim se faz conservação e educação ambiental num só. Uma união que resulta muito bem, a meu ver, já que só dando a conhecer as aves e a sua importância é que podemos exigir que a opinião pública respeite e entenda os sacrifícios que poderão ser necessários fazer para conservar a vida selvagem. No entanto, estas associações inglesas quiseram levar o conceito de “dar a conhecer” mais longe, proporcionando aos seus visitantes, a observação de outras aves que naturalmente não ocorrem naqueles locais, ou que não ocorrem sequer no Reino Unido. Ou seja, cada uma destas ONGs (e não só) possui um jardim ornitológico, ou colecção de aves em cativeiro, o que pode ser muito bonito e frutuoso para a educação ambiental, mas tem trazido, ao longo das centenas de anos que os Ingleses têm este hábito de coleccionar aves, alguns problemas para a conservação da vida selvagem.
Para o bem e para o mal, a política de conservação em Portugal, se é que ela existe, parece ser: a mãe natureza sabe o que faz e por isso, “bem preservar” passa pelo “não intervir”. Mas o pior é que “não intervir” também inclui “não ensinar”, “não dar a conhecer”. Algumas associações Portuguesas conseguem possuir um ou outro terreno e executar acções de educação ambiental, mas estamos muito longe de ter, só para aves, 3 grandes ONG’s que possuam 9 centros e respectivos terrenos espalhados por todo o Portugal, com uma media de 10 pessoas por centro a trabalhar só em conservação/investigação (onde estou, somos 20!). Também é verdade que são poucas as Reservas Naturais (estatais, portanto) existentes no Reino Unido e não conheço o trabalho da Joint Nature Conservation Commitee, o equivalente ao Instituto de Conservação da Natureza em Portugal (ICN). Será que o futuro da conservação tem de passar, obrigatoriamente, para as/pelas ONG’s? Dada a situação actual do ICN e o esforço de algumas ONG’s portuguesas, não é de todo difícil responder afirmativamente e com entusiasmo. Mas será esse o melhor caminho? Ou será esse o único? Sinceramente, de momento não possuo uma opinião bem fundamentada e por isso, gostava de ouvir outras vozes, comentários, especulações, sobre este tema, pelo que convido os leitores a participarem no fórum: "Que caminhos para a conservação em portugal"?
Dora Querido |
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